Mesa

    Há uma mesa algures no deserto Tu não a vês como ela é Nem sabes quem a pousou ali Ela é somente. Quatro pernas Um tampo. E mais nada. No deserto há o golpe de sol, A areia e o vento. Eu não a vejo como ela é. A toalha é branca e simples. Há aromas de flores, cedro e limão. Põe a mesa por favor (como é a tua mesa?). Posso sentar-me e comer contigo? Não tarda, vou embora. Que eu sou feita de ir ...

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A Natureza do Vento

  Naquele ano levantou-se um vento diferente dos outros ventos. Como, de outra forma, se explica Os estores esvoaçantes, As suas barras metálicas a bater, insistentes, nas paredes, As janelas escancaradas no Centro de Saúde, Os corredores de vento no emprego? O vento invadia todos os espaços. Vinha de fora e tomava com dedos de espectro Todos os prédios e as casas outrora impenetráveis. Só os quintais e as quintas não estranharam. Os seus habitantes já caminhavam com a queimadura do vento ...

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A CORTINA

  O outono é uma cortina castanha Esvoaçante, translúcida. Filtra luz dourada E tudo fica um pouco dourado E ruivo. É uma romã partida a meio E duas inteiras. O outono é um por do sol, É descanso e é estudo Ninho Fumo Convívio mudo. O outono é queda, sombras E vontade de voltar a aprender.     Abigail Ribeiro 27 de setembro de 2020  

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